1964: GOLPE DE CLASSE E A CONSOLIDAÇÃO DO IMPERIALISMO NO BRASIL

Fabrício André Zanghelini, Olinto Silveira Alves Filho

Resumo


O objetivo deste artigo é demostrar a interferência do imperialismo estadunidense, organicamente imbricado com suas empresas multinacionais, na deposição do Presidente João Goulart. Para isto, a problemática central busca traduzir as ingerências externas que ocorreram na ordem político-econômica brasileira no período do governo de Goulart até a consolidação do golpe civil-militar, em 1964. Estes acontecimentos, vistos pela concepção do capital monopolista internacional e associado, demonstram o quanto os interesses específicos dos países centrais se colocam na consolidação do desenvolvimento dependente brasileiro. Assim sendo, a perspectiva histórico-estrutural comprova que o subdesenvolvimento é justamente produto das relações político-econômicas do País com o capital monopolista internacional e associado. Diante disso, busca-se ainda evidenciar que tentativas de pactos de classe são insuficientes, mesmo diante de conflitos entre a burguesia industrial, as oligarquias agrário-latifundiárias e a burguesia internacional, pois, em última análise, prevalece, de modo bastante efetivo, uma pura unidade de classe que reage radicalmente, inclusive com golpes de Estado, para impedir qualquer ascensão das classes populares. Conclui-se, portanto, que qualquer estratégia que envolva unidade das classes subalternas com as classes burguesas é ilusória, em razão que a luta contra a lógica do capital é somente possível através da noção da luta de classes. 


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REBELA - Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos
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